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Vinhos

O valor do vinho

por Nelton Fagundes

Quanto vale um vinho? Essa pergunta ronda a minha trajetória como sommelier. Sempre respondo com muito entusiasmo. Além de ensinar as diferenças e as virtudes dessas verdadeiras joias engarrafadas, aprendo bastante com os comentários dos amigos. A grande maioria é convencida de que o valor é um detalhe, mas há sempre alguns que não conseguem entender o valor do vinho e que suas diferenças seguem a velha máxima da oferta e da procura.

Para os mais aficionados pelos vinhos, é plenamente possível comparar rótulos a um belo quadro de Pablo Picasso ou de Leonardo Da Vinci. Já pensou em ter a Monalisa em uma das paredes da sua casa? Um quadro conhecido no mundo inteiro é algo único e que deixaria qualquer um extremamente vaidoso. Contudo, se o dono dessa obra não tiver amor pela arte, possivelmente ele não vá sentir nada ao olhar para ela.

Dependendo do vinho, até o simples ato de o comprar pode se tornar uma tarefa difícil, devido a vários fatores, como confiabilidade, origem, conservação. Tudo tem uma real importância, dependendo da paixão pelo assunto. Quem é amante de vinhos entende a busca por rótulos diferenciados e sensações únicas. Quem não aprecia a bebida, não consegue mensurar a emoção de beber vinhos raros, produzidos em número restrito e, em alguns casos, muito disputados.

Mas não se engane. Ninguém bebe grandes vinhos todos os dias. Esses néctares são para ocasiões especiais ou comemorações para grupos pequenos cuja única requisição é garantir o devido valor para as bebidas servidas naquele momento. Então não se oferece um grande vinho para a apreciação de iniciantes. Não que iniciantes não mereçam. Longe disso. Mas, para chegar a grandes vinhos, deve-se ter um bom alicerce, provando rótulos dos mais variados tipos, preços e estilos para, assim, preparar-se para entender os sabores.

Imagine o sal presente nas refeições. Poucos gramas a mais podem transformar um prato espetacular em um desastre, assim como a ausência desse ingrediente muda completamente o sabor da refeição. O condimento funciona de forma delicada. No vinho, a história é a mesma. As diferenças são tênues. Por isso, a importância da sutileza - tanto na escolha do local para produção do vinho e das cepas quanto dos tipos de barris para envelhecimento e dos métodos de produção.

Realmente a sutileza faz a diferença. Um grande vinho de determinada região, com história e tradição, pode ser único. O preço é um mero detalhe a ser esquecido com o prazer de poder provar um vinho desse patamar. Um rótulo de R$ 2 mil não é 40 vezes melhor que um de R$ 50, mas as sutilezas e as nuances são, com certeza, inesquecíveis.


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