No meio de tantos escândalos políticos e denúncias de corrupção, o país precisa avançar. É preciso mostrar que o Brasil é capaz de funcionar sob regras e normas. Sobretudo, é necessário haver correção. Está mais do que na hora de darmos um bom exemplo. O país deve mostrar que tem leis, elas valem e precisam ser observadas.
Revelado em 2005, o escândalo do mensalão aguarda há sete anos por um desfecho. Agora parece que vai. Está previsto para o dia 1º de agosto, o início dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo de julgamento dos envolvidos no mensalão. Vale lembrar que o escândalo veio a público pelas delações de um dos seus próceres, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ). A denúncia revelou a "compra" de deputados e votos para a base do governo Lula.
Pagamentos regulares eram feitos para beneficiar figuras centrais do governo e do PT. Será bom para o país, especialmente para o governo, para os partidos, para as instituições da Justiça e para a democracia, que esse caso chegue ao fim, atribuindo penas justas aos que tenham culpa e inocentando os inocentes, caso existam.
O mensalão é considerado o maior caso de corrupção política do país, nas últimas décadas. É o esquema com maior número de envolvidos, cargos e funções que desempenhavam e o volume financeiro mais expressivo. Mas é possível que vários dos crimes imputados aos réus sejam prescritos. E mais uma vez isso vai significar impunidade para delinquentes e corruptos que chegam ao poder. Seria o pior e mais degradante dos cenários: um fato para desmoralizar por completo nossas instituições, consolidando a imagem de que somos uma "república de bananeira de quinta categoria".
É constitucional os réus se defenderem e legítimo eles tentarem influenciar a opinião pública - até mesmo a dos magistrados. Para isso, eles podem se valer de possibilidades e subterfúgios da lei. Mas chega a ser deplorável o comportamento e as atitudes de alguns que tentam "melar" o julgamento do caso. Nesse segundo campo está, infelizmente, o ex-presidente Lula.
O ex-presidente tem uma popularidade transbordante, uma influência onipresente sobre o governo e o controle totalitário e messiânico sobre o PT. Mas frequentemente ele está se valendo dessa posição privilegiada para faltar com a compostura e o senso ético. Medíocres e tacanhos podem ser adjetivos que ilustram a termo algumas atitudes e o comportamento de Lula nos últimos meses, tendo como objetivo evitar ou conturbar o julgamento do mensalão.
A determinação e as articulações para a instalação da CPI do Cachoeira têm o intuito de encurralar a oposição e constranger o Procurador-Geral da República. E as conversas nada republicanas e as pressões diretas sobre juízes do STF - como é o que parece ter ocorrido com o Presidente do Supremo, o ministro Gilmar Mendes - estão se apresentando como tiros que saíram pela culatra.