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Justiça

As manifestações e alguns de seus significados

por Robson Sávio Reis Souza

Para além do voluntarismo e do desdém contra as instituições políticas tradicionais, é preciso enxergar o caráter político das manifestações que tomaram conta do Brasil em junho passado. Agora espera-se que as variadas proposições do movimento desaguem no aprofundamento da democracia participativa e das suas instituições - que precisam processar os clamores populares.

O movimento que tomou as ruas do Brasil teve características próprias: demandas individualistas, presença de grupos dos mais variados segmentos sociais, pautas muito diversificadas e falta de coesão de uma pauta reivindicatória específica.

Em boa medida, o movimento das massas teve suas origens nas redes sociais, onde não há hierarquias de comando nem centralização. Pelo contrário. Há uma horizontalidade nas formas de participação. Porém, o lado mágico da internet estava presente: a ideia de que a vida e as instituições, como num clique de computador, mudam milagrosamente num segundo.

É importante observar: no espaço público, a ausência de líderes para a negociação pode ensejar manipulações de grupos pouco escrupulosos. Nessas condições, o perigo de uma guinada conservadora e/ou autoritária é real. Políticos conservadores, filhos do chamado "pacto das elites", tentam computar louros.

Por outro lado, jovens das classes média e alta, muito presentes nas manifestações, nem sempre lutam por reformas estruturais e transformadoras. Muitas vezes, querem manter o velho status quo de uma sociedade de privilégios (não de direitos).

Para além de demandas gerais, registrem-se muitas especificidades. Por exemplo: a denúncia de um modelo de cidade de megaeventos que é altamente segregador. Percebe-se nas arenas construídas para a Copa que tais empreendimentos são para quem tem dinheiro; é uma cidade de e para poucos. Muitos grupos de cidadãos rejeitam um modelo urbano imposto por entidades privadas externas. Muitos movimentos sociais presentes nas manifestações não tinham canais de visibilidade para a vocalização de suas preferências. Sempre foram tratados com desdém e repressão pelo poder público. Ignorados pela grande mídia, esses grupos estavam presentes e atuantes nos protestos.

Por falar em mídia, não podemos esquecer que a imprensa teve papel decisivo na onda de reivindicações. Ao observar que a opinião pública estava favorável aos protestos, os poderosos grupos de comunicação, em uníssono, começaram a inflar o movimento de forma meio irresponsável. Havia certo clima "do quanto pior, melhor".

Por fim, boa parte da classe média progressista e mesmo os setores da chamada "nova classe média" vinham vocalizando a insatisfação pelo fato de o governo federal não avançar nas chamadas "reformas estruturantes".

O ano 2014 está aí: ano de eleições e de Copa do Mundo.

O que podemos esperar?


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