A libertação de um homem suspeito de estuprar e matar idosas, no interior de Minas Gerais, levanta mais uma vez a questão sobre a chamada política de desospitalização manicomial. Preso pela polícia há poucos meses, ele ganhou liberdade e colocou uma cidade inteira “atrás das grades”.
Não pretendo questionar os avanços que vivemos no Brasil, nos últimos anos, ao lançar uma interrogação sobre os manicômios, judiciais ou não, que mais se pareciam “depósitos de loucos”. Abandonados pelas famílias, milhares desses pacientes foram deixados à própria sorte e totalmente desprovidos de uma condição mínima de dignidade.
Ao exigir das famílias um compromisso no processo de socialização, mudamos uma realidade injusta que sempre chocou aqueles que lidavam com a questão. Mas, como no Brasil – infelizmente – toda decisão tem um lado incompleto e até mesmo fantasioso, a desospitalização gerou um problema nos casos mais graves.
Quando o paciente sofre de um desequilíbrio leve ou médio, o controle via medicamentos se torna possível e o equilíbrio no convívio com as pessoas é alcançado. O perigo começa quando os que apresentam situação clínica mais delicada, com surtos violentos ou psicopatias graves, passam a agir sem controle em meio às pessoas. É o que está acontecendo na Comunidade Santo Isidóro, em Itaverava.
A radicalização por parte daqueles que defendem a completa desospitalização leva famílias inteiras e bairros a viverem o drama de estarem, a todo o momento, inseguros. Na mesma proporção, há perigo também para a vida do portador de sofrimento mental, por conta da possibilidade de ser agredido ou até mesmo linchado, em um momento de fúria da população.
Quero deixar bem claro que não defendo a volta dos “porões manicomiais”. Mas me coloco no lugar das famílias que não encontram a ajuda necessária para que o parente possa se tratar, ser mantido em segurança e que permita aos familiares continuarem suas vidas, dentro de uma normalidade.
Não é incomum encontrar no noticiário policial casas onde mães, pais e até irmãos foram assassinados durante as crises. Eu, particularmente, já encontrei residências onde as pessoas se revezavam acordadas durante a noite, pois sabiam da possibilidade de que um assassinato poderia acontecer, cometido por um dos filhos. Aqui, vocês podem entender porque me referi a uma parte “fantasiosa” da questão. A proposta inicial de completa liberdade para todos os portadores de sofrimento mental é muito interessante e bonita na teoria. Mas na prática, é a certeza de que não pode ser realidade em todas as situações. A condenação dessa maneira é mutua.
Bem, começamos mais uma legislatura em Brasília e nas Assembléias Legislativas de todo o país. Infelizmente, ainda não há muito o que se comemorar. Boa parte dos federais eleitos responde a processos na Justiça por uma série de suspeitas e crimes. Muitos se beneficiam das próprias leis confusas e incompletas que eles mesmos votam com a intenção dolosa deixar brechas que ajudem a fugir das punições.
Mas precisamos pensar também por outro lado. É minha visão, que nós no Brasil sofremos de uma espécie de "síndrome dos coitadinhos". Não conseguimos eliminar a corrupção porque ela é extensa demais...Somos um povo fadado ao fracasso....Você vai ver o povinho que eu vou colocar lá...Nossas misérias são resultado da exploração capitalista desenfreada...Veias Abertas da América Latina... e por ai vai e vem.
Frases e sentenças que sempre ouvi quando militei nos Movimentos Eclesiais de Base e que agora soam cada mais desconexas e distantes da realidade.
Somos miseráveis em vários países da América Latina porque somos condescendentes com a corrupção e a preguiça em várias situações. Quer um exemplo? É muito comum ouvirmos: "fulano está muito bem. Ganha um dinheirão e não faz nada". Essa é a visão de muitos dos nossos em várias situações da vida, principalmente na hora do voto.
Da mesma forma que temos milhões de brasileiros honestos, desejosos de uma vida correta, de trabalho, de filhos educados dentro do que há de melhor no respeito ao outro e ao mundo, temos outros milhões que infelizmente sustentam a visão de que "é preciso levar vantagem em tudo" na vida. Insensatos que reelegem ou levam a primeiro mandato políticos sem nenhum compromisso com o Brasil.
Depois se queixam e desabafam: "Política é assim mesmo. Ninguém vale nada!"
Precisamos pensar e repensar sempre nossas atitudes e escolhas. Deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores não pagam ingresso. São eleitos. São o espelho do nosso povo.
Quer outro bom exemplo? O Tiririca ao tomar posse sintetizou exatamente o lado dos que usam a política apenas para o crescimento pessoal: "acho que vou me dar bem", disse ele com ar de uma simplicidade que beira a ironia.
A pergunta agora é: será que o Brasil também vai se dar bem com os novos legisladores?
O tempo dirá. E nós, colheremos o resultado das escolhas a cada dois anos.