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Horizontes

Encantos de uma terra em transe

por Gisele Almeida

Mesmo ao dissabor do turbulento momento político-econômico, a Grécia continua fazendo parte de um roteiro turístico indispensável na Europa (Foto: Gisele Almeida)

Os gregos têm uma forma muito particular de celebrar a vida. Não se admire se um grupo animado de nativos começar a cantar e a dançar a caminho de Atenas para quebrar a monotonia do voo. Não importa se o país enfrenta uma de suas maiores crises econômicas: para eles, há sempre algum motivo para ser feliz.
Em setembro, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, venceu as eleições legislativas no país um mês depois de ter apresentado a própria demissão. O motivo da renúncia foi o desentendimento entre ele e 40 deputados do Syriza, partido resultante da coalizão da Esquerda Radical Grega. Os deputados votaram contra o acordo para um novo programa de resgate financeiro apresentado pela União Europeia.

Na raiz da crise grega está uma dívida de mais de 320 bilhões de euros que o país não tem condições de pagar ao bloco. Nos meses de junho e julho, aconteceram nas ruas do país uma série de manifestações contrárias às medidas de austeridade impostas pela Troika - entidade formada pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A Troika é responsável pelas negociações com os países que solicitam um pedido de resgate financeiro e está à frente do mais recente plano.

Os protestos ocuparam os noticiários internacionais e, no dia 7 de julho, os cidadãos gregos votaram pelo "Não" às condições impostas em troca de uma nova ajuda financeira por parte do bloco. A resposta dos gregos nas urnas colocava em xeque a permanência do país na União Europeia. Anteriormente contrário às exigências impostas pela Troika, o então primeiro-ministro optou por aceitar o novo acordo proposto e um novo plano de resgate foi iniciado. Essa mudança de atitude levou a um desentendimento entre ele e o próprio partido, Syriza.

O PhD em Economia pela Stockholm School of Economics e economista do Banco Central da Suécia Rafael Rezende explica que não há perspectivas para reverter o declínio econômico grego. "Pior do que isso: as forças políticas parecem estar simplesmente preparadas para acatar as demandas dos credores internacionais", comenta.

Para o especialista, a postura antiausteridade do povo, votada no referendo de julho, foi ignorada, e as pesquisas sugerem que, mesmo com o Syriza no poder, uma coalizão pró-resgate imposta pela União Europeia seja realizada no país. "Ao aceitar esse acordo, a Grécia vai ter de fazer uma série de reformas no sistema tributário, de pensões e no Judiciário, além de flexibilizar o mercado de trabalho e privatizar diversos ativos do Estado", explica.

Apesar da instável situação econômica e das tensões que marcam o cenário político do país, o turismo parece não sentir as instabilidades. De acordo com dados do Ministério do Turismo, o número de visitantes do país continua em franco crescimento. "Se verificarmos os dados estatísticos dos primeiros seis meses de 2015, em termos de chegadas de visitantes estrangeiros ao Aeroporto Internacional de Atenas, vemos um aumento impressionante de 29% comparado com o mesmo período no ano passado", comenta a gerente de Marketing de Atenas, Maria Papadopoulou.

As belezas naturais e os preços convidativos podem ser a resposta para o contínuo crescimento do número turistas que procuram a Grécia como destino de férias. A doutoranda em Fisioterapia pela Universidade de Estocolmo, Viviane Straatman, visitou Atenas em julho. Para a turista brasileira, o transporte público e a alimentação têm um preço acessível no país. "A Grécia se torna um lugar bem atrativo, uma vez que encontramos produtos por preços mais em conta do que no resto da Europa. As belíssimas praias e a riqueza cultural também fazem parte de pontos que elevam o interesse dos viajantes pelo país", opina.

Atenas

Para quem pretende visitar a Grécia, um bom ponto de partida é a capital Atenas, uma metrópole de mais 4 milhões de habitantes localizada na parte Continental do país. Além de apresentar tesouros históricos, arqueológicos e culturais, a cidade é vizinha de paisagens capazes de encantar até mesmo os olhos mais exigentes.

Atenas presenciou um substancial crescimento demográfico no século XIX, quando se tornou a capital do país. Atualmente a paisagem urbana vive lado a lado com a arquitetura milenar grega. Um interessante encontro entre a modernidade e a história, por lá é possível assistir a um espetáculo no teatro de Dionísio, visitar o Liceu de Aristóteles e passear pelos caminhos onde andaram os deuses gregos.

O próprio metrô da cidade é uma mistura de avanços tecnológicos com a história do país. Em 2004, foram inauguradas duas linhas que, além de minimizarem o caótico tráfego local, tornaram-se novos pontos de interesse para os visitantes. As estações passaram a exibir uma série de objetos arqueológicos encontrados nas escavações durante o período das obras das linhas. Andar de transporte público em Atenas também se tornou um interessante passeio cultural.

Acrópoles

Acrópoles é o nome dado ao ponto mais alto de uma cidade grega. Na antiguidade, esses picos eram utilizados como base de proteção. De lá, o exército vigiava as cidades para prevenir a chegada de invasores. Era também no alto onde se construíam os templos em homenagens aos deuses da mitologia grega.

Na acrópole de Atenas, o turista pode visitar o imponente Pathernon, o templo construído para abrigar a gigante Athena, de cerca de 11 metros de altura, feita em ouro e marfim. A estátua não resistiu ao tempo, mas existem algumas cópias que comprovam a sua existência. Uma delas, considerada a representação mais fiel, está exposta no Museu Nacional da Grécia.

A guia turística do projeto "My Athens", Theodora Kaphou, conta que a estátua de Athena tinha lugar de destaque, tendo sido colocada sobre uma piscina de azeite de oliva. "A ideia era de que os raios de sol refletissem no azeite e iluminassem a estátua, conferindo a ela um brilho extra para reforçar a expressão da grandiosidade e do poder da deusa", conta.

Do Parthenon restam as pilastras e outros objetos rodeados por andaimes que garantem a conservação. Ainda assim é um imponente monumento a ser visitado não apenas pela riqueza arquitetônica. É do alto da Acrópoles que se tem uma das mais impressionantes vistas para cidade.

Creta

Uma viagem à Grécia não estaria completa sem uma visita a algumas das ilhas do país. Habitada desde a pré-história, a ilha de Creta mantém seu caráter bucólico. Parece que somos transportados de realidade.

Visitar Creta é um verdadeiro retiro; um recanto onde pode-se experimentar uma vida sem o barulho do trânsito nem a perturbação das atualizações das redes sociais nos dispositivos eletrônicos. Pontualmente é possível encontrar wi-fi nos restaurantes e em outros estabelecimentos, mas o encanto da ilha é justamente se desconectar e se dar ao luxo de aproveitar a natureza acompanhado por um bom vinho e pela simples e deliciosa comida grega.

Um dos pratos mais apreciados por lá é a famosa salada grega, preparada com tomate, azeitonas, pepino e queijo feta, levando azeite e orégano como temperos. À primeira vista parece muito simples, mas os ingredientes frescos, produzidos na própria ilha, conferem a ela um sabor inigualável. Você vai esquecer que já experimentou qualquer um desses ingredientes.

A experiência gastronômica em Creta se torna mais incomparável, caso o visitante participe de um jantar dançante: música ao vivo, dança folclórica e os bailarinos convidando você a fazer parte do show. Em poucos minutos, o menor dos restaurantes se torna uma animada pista de dança, um dos momentos mais inesquecíveis da viagem.

Balos Lagoon

A Lagoa de Balos pode ser considerada o maior tesouro da ilha de Creta. As rochas no limite do mar fazem com que essa bela praia tenha a aparência de uma lagoa. O que a torna uma atração imperdível é a incomparável tonalidade azul-turquesa da água e a calmaria que dá a ela um aspecto de piscina natural. Chama atenção ainda a areia fina, que em alguns lugares apresenta uma exótica cor rosada devido às conchas esmagadas.

De acordo com dados da Empresa Cretan Daily Cruises, que opera os ferrys com destino a Balos, durante os meses do verão europeu, cerca de 1,5 mil turistas visitam Balos e a Ilha Gramvousa todos os dias. A porta-voz da empresa, Aristea Nikolakaki, explica que esse ano foi notada uma pequena redução de passageiros durante o mês de maio, mas nada muito significativo.

Para ela, o mais difícil para os cidadãos gregos é ter de lidar com as incertezas da economia e política do país. "A crise grega é um fato que temos de lidar em nosso dia a dia, e isso é muito doloroso para nós que ficamos sem perspectivas de melhorias. Graças a Deus, por causa da beleza da nossa terra, o clima maravilhoso e a hospitalidade do nosso povo, o setor do turismo ainda está de pé, e esta é a nossa motivação para melhorar nossos serviços e razão suficiente para acreditar que dias melhores virão", ressalta.


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