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Eu vou... A Dubai, Doha ou Pequim?

por Leo Pinheiro

Com edições confirmadas para os próximos dois anos, Rock in Rio negocia qual será a Cidade do Rock a partir de 2018 (Foto: I Hate Flash)

A poeira da Cidade do Rock mal baixou e o que mais se vê são pessoas se preparando para marcar presença nas futuras edições do maior festival de música do planeta. Segundo a organização, é certo que estão confirmados eventos em Lisboa, em 2016, e Las Vegas e Rio, em 2017. Porém, o sempre visionário Roberto Medina, idealizador e presidente do Rock in Rio, adiantou para Vox Objetiva que outras cinco cidades manifestaram interesse em sediar os shows de 2018. Buenos Aires, na Argentina; Bogotá, na Colômbia; Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; Doha, no Qatar; e Pequim, na China.

As cidades asiáticas levam vantagem devido ao maior poder econômico. Medina assume que seria fantástico levar o evento para Dubai e demonstra que a capital dos Emirados Árabes Unidos pode ser o ponto de partida do evento no continente. "Do ponto de vista de marca, a gente é a maior rede social do mundo de eventos de música. Eu quero que a marca Rock in Rio esteja fisicamente em todos os continentes. Na Ásia, a gente está conversando com dois países: Emirados Árabes Unidos e Qatar. Nos Emirados Árabes é um projeto diferente, muito mais simbólico, um projeto arquitetônico muito avançado, mas a gente está conversando com calma", conta o publicitário.

Medina revela também que sonha em realizar o evento no país mais populoso do mundo. Mas se o mercado de mais de um bilhão de consumidores e quase US$ 10 trilhões de produto interno bruto é atrativo financeiramente, a política interna atrapalha. "Os chineses me procuraram, eu cheguei a ir até a China, mas lá eles têm um problema político. Eles querem que a gente garanta que o artista não fará nenhum pronunciamento político. Isso é impossível. Então a negociação parou aí. Creio que lá na frente isso mude; vai ter que mudar. Daí voltamos a conversar", planeja.

Se o empecilho para a realização - pelo menos nos próximos anos - na China foi ideológico, em nosso continente a questão é puramente econômica. Em dificuldades financeiras, argentinos e colombianos terão que esperar até a próxima década para assistirem ao festival em casa. "Com a Argentina, a gente chegou a caminhar bastante, mas o país tem um problema econômico muito forte. A Argentina é o país que mais conhece a história do Rock in Rio. Cerca de 65% da população conhece e ama o Rock in Rio. Então ele estava pronto. Mas ali você não tem como fazer porque você tem que remeter o dinheiro para pagar os artistas, e a economia está bloqueada. Esse é o motivo de não termos realizado o RiR lá ainda ".

Menor e Melhor

Outras novidades que Medina conta são que a Cidade do Rock pode trocar de lugar e que na próxima edição ele poderá reduzir ainda mais o número de ingressos para tornar o evento mais confortável para o público. "Eu já diminuí de 100 mil para 85 mil (ingressos por dia) e quando falo para o meu departamento financeiro em diminuir mais, eles tremem porque querem que eu venda todos os ingressos possíveis. É um problema complexo porque, quando você reduz, impacta no preço do bilhete. Mas eu gostaria de reduzir umas cinco mil pessoas, para desespero de alguns que me abordam na rua e falam :'Você reduziu e eu não comprei ingresso, você devia aumentar. Eu levo bronca dos caras'" (risos), conta.

Quanto à mudança de local, o empresário despista. "Eu sonho poder fazer o Rock in Rio em um espaço maior para abrigar mais gente, para dar mais espaço e conforto para as pessoas, para a movimentação. Se a gente conseguir ampliar a Cidade do Rock será bom", vislumbra sem revelar quando e para onde seria a mudança. A Vox Objetiva apurou, no entanto, que há planos para a construção de um espaço definitivo só para o Rock in Rio, com um miniparque de diversão, lojas, praça de alimentação. O local teria que ter o dobro da área do Parque dos Atletas, onde o evento acontece desde 2011. "O ideal para Medina, até por razões emocionais, seria o local que sediou as edições de 1985 e 2001", diz uma fonte ligada ao dono da festa. Porém, o espaço hoje é a Vila Olímpica do Rio de Janeiro.

Rock in Rio 2019

Para o Secretário de Turismo do Município do Rio de Janeiro, Antonio Pedro Figueira de Mello, o Parque dos Atletas ainda é o lugar ideal para o Rock in Rio e vai continuar sendo a sede do festival pelo menos até 2019. "Que seja eterno enquanto dure", diz, parafraseando o poetinha Vinícius de Moraes.

Figueira de Mello adiantou que já foi firmado o compromisso para as duas próximas edições na Cidade Maravilhosa. "Já foi assinado o contrato do Rock in Rio 2019. O Medina chegou a pensar em levar o evento para São Paulo, mas ele é nosso; já está garantido! Nós gostamos dos paulistas, mineiros e turistas de todo o Brasil, mas queremos que eles venham para cá em vez de o Rock in Rio ir até a eles. Nós gostamos muito de recebê-los e pretendemos que seja assim por muito tempo", brinca o Secretário exaltando a boa ocupação hoteleira no período que normalmente seria de baixa temporada.

Sobre a expansão do Rock in Rio para o exterior, com shows realizados na Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos e, futuramente, na Ásia, Antonio Pedro é enfático: "Adoramos que a marca Rock in Rio seja mais conhecida no mundo! É o nome do Rio de Janeiro acima de tudo. Mas o que quero mesmo é que mais edições aconteçam aqui na cidade", completa deixando clara uma verdadeira obsessão: lotar o Rio de turistas durante todos os meses do ano.

Próximas atrações

Os ingressos para todos os dias do Rock in Rio 2015 se esgotaram em menos de duas horas. Para dar oportunidade àqueles que conseguiram comprar bilhetes para a histórica edição de 30 anos, a organização do evento já disponibilizou a venda de entradas para 2017. A compra será somente pela internet - como já acontece há alguns anos. Além da antecipação na compra de ingressos, os organizadores vão dar aos consumidores que se fidelizarem ao Rock in Rio Club mimos, como fastpass e fila preferencial nos brinquedos.

Com o Rock in Rio Card garantido, o público assegura a entrada na Cidade do Rock quase dois anos antes do primeiro show, mas só escolhe o dia que vai depois da divulgação das bandas confirmadas. A equipe de Vox Objetiva conseguiu ‘arrancar' de Roberto Medina pelo menos duas atrações que ele tem na cabeça. "Em 2017, se Bruce Springsteen quiser, ele vai tocar no Rock in Rio. Mas não depende só de mim. Depende de ele querer, se vai ter agenda,... Este ano eu queria trazer o AC/DC para comemorar os 30 anos, não consegui. Eles não podiam vir este ano. Só no próximo. Às vezes não coincide porque os caras estão parados ou em turnê".

A respeito das atrações escolhidas para as edições do evento, Medina explica que tudo é pensado para agradar ao público geral. "É lógico que entra o meu gosto, mas é bem pouco. Neste final de semana, eu vou receber o resultado de uma pesquisa sobre o que as pessoas querem, e a estratégia é tentar ver se esses nomes fazem sentido, pensar em quais dias seriam ideais. Eu escuto todo mundo: as gravadoras, a crítica especializada. Mas o Rock in Rio é feito para o público. É ele que tentamos entender", finaliza o dono da festa.

O que continua

O show Rio 450 fez o público dançar mesmo debaixo de chuva no Palco Sunset, no último dia de Rock in Rio. A mistura de gente do rock, pop, MPB, funk melody e samba ratificou a força que o espaço alternativo ao Palco Mundo (o principal) tinha conquistado com o público e a crítica em dias anteriores, com apresentações emblemáticas.

Destacaram-se Pepeu Gomes e Baby ‘Consuelo' do Brasil, que tocaram com o filho Pedro Baby; Al Jarreau, que recebeu Marcos Valle em show de jazz, bossa-nova e uma surpreendente e emocionante versão de ‘Your Song', de Elton John; do multi-instrumentista e cantor norte-americano Raul Midón; e, é claro, da homenagem à Cássia Eller, com nomes como Nando Reis e Zélia Duncan. O Sunset, segundo Medina, vai continuar sendo um espaço para experimentações de artistas que podem tocar no palco mundo em outras edições, no Brasil e exterior.

A promoção ‘Eu vou casar no Rock in Rio', que oficializou a união em uma capela na Rock Street de um casal por dia, no estilo das cerimônias de Las Vegas, também fez muito sucesso entre noivos, famílias e o público. Ela deve ser ampliada na próxima edição. Este ano houve sete casamentos. Em 2017 pode ser o dobro. Aparentemente com menos público do que em edições anteriores, a tenda eletrônica também fica, garantem os organizadores. É uma maneira de contemplar o público jovem e mais festeiro.

Utilizados por mais de 70 mil pessoas durante os sete dias de festival, os quatro brinquedos instalados na Cidade do Rock se consolidaram como o segundo maior atrativo do evento. E devem, cada vez mais, receber upgrade da organização. O holandês Xtreme, que faz um movimento de pêndulo ao mesmo tempo que gira, foi a novidade deste ano e, sem dúvida, o que dá mais frio na barriga. A Montanha Russa é cinco vezes maior do que a de 2013 e é importada da Alemanha (a anterior era brasileira); a Roda-Gigante, fabricada na Itália, agora tem um telão no centro e iluminação especial. Porém, o maior diferencial do brinquedo é ter gôndolas para cadeirantes. Golaço no quesito inclusão.

Genuinamente brasileira, a tirolesa foi mais uma vez o brinquedo mais concorrido. Patrocinada por uma cervejaria, a atração ofereceu um chope para quem se aventurou a deslizar por impressionantes 205 metros de extensão e 22 metros e meio de altura. Imaginou passar em frente ao seu artista predileto durante uma música que marcou a sua vida e depois tomar um chopinho? Agora só em maio, em Portugal, ou em 2017, 2018, 2019...


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