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Horizontes

Nas alturas da Big Apple

por Gisele Almeida

Os locais para avistar e se encantar ainda mais pela irresistível Nova Iorque (Foto: Gisele Almeida)

Se existe uma cidade que traduz o significado do sonho americano, onde é possível realizar tudo o que se deseja, esse lugar é Nova Iorque. Objeto de inspiração para filmes, músicas e peças de teatros, a cidade cosmopolita está presente na vida de tantos cidadãos que chega a ser estranha a sensação de familiaridade ao andar pelas ruas - mesmo pisando lá pela primeira vez.

Nova Iorque ocupa um dos primeiros lugares na lista do Councilon Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) como uma das cidades com a maior quantidade de arranha-céus no mundo. É quase impossível se ver nessa grandiosa selva de pedra sem se sentir forçado a olhar para o alto a fim de não perder nenhum detalhe.

E é das alturas que temos as mais agradáveis experiências da paisagem nova-iorquina. Há diversos lugares com a promessa de proporcionar as melhores vistas para a cidade. São inúmeras opções para todos os estilos e bolsos. Certamente a seu modo, cada uma delas proporciona um ângulo único da Big Apple.

Blogueiros especialistas no tema viagem e membros da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagens (RBBV) indicam que, para obter as melhores vistas, é importante escolher o horário adequado para visitar cada um desses locais.

Sob os raios de sol

O One World Trade Center, edifício inaugurado recentemente na região da baixa Manhattan, carrega nas estruturas de aço a missão de ocupar o lugar das ilustres Torres Gêmeas. Em 11 de setembro de 2001, quando o mundo parou para observar o maior ataque terrorista da história dos Estados Unidos, a promessa da reconstrução do local foi feita pelo prefeito da cidade, Rudy Giuliani, após 12 horas dos atentados. "Vamos reconstruir. E não apenas isso: vamos voltar mais fortes do que éramos. Vamos fazer o edifício mais resistente que já existiu", prometeu o prefeito sob o olhar atento da imprensa internacional.

A partir daí, uma competição em nível mundial foi iniciada. Arquitetos renomados de vários cantos do mundo enviaram ousadas propostas e, após cinco anos de discussões, o design final da torre foi aprovado. O projeto escolhido foi do arquiteto americano David Childs, conhecido por obras como o World Wilde Plaza, na 8ª Avenida, e o terminal de desembarque do Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), em Nova Iorque.

David Childs assistiu de camarote à colisão dos aviões com as Torres Gêmeas. No fatídico 11 de setembro, ele trabalhava no escritório que dá vista para os edifícios. "Eu me lembro que um jovem rapaz veio até mim com lágrimas nos olhos perguntando se as Torres iriam cair. Eu prontamente disse que não. Se elas não tivessem sido derrubadas com o impacto da colisão, elas não iriam cair", comentou ele em entrevista para o Documentário Oficial do One World Trade Center.

O arquiteto se referia ao fato de que, até então, nunca na história da construção um edifício com estrutura de aço teria desabado por motivos de incêndio. Mas o inesperado aconteceu e o mundo testemunhou a queda das Twins Towers.

Com 104 andares e mais de 540 metros de altura, o One World Trade Center, também conhecido como a Freedon Tower (Torre da Liberdade), marca o renascimento de Downtown Manhattan. Apresentando uma combinação inovadora de arquitetura, segurança e sustentabilidade, o novo prédio passa a ser o endereço de escritórios mais cobiçados do mundo e do Observatório aberto ao público onde se pode contemplar uma das mais deslumbrantes vistas da cidade.

O OWTC já ocupa o topo da lista de lugares imperdíveis para os viajantes que passam pela cidade. Quanto ao horário ideal para visitá-lo, à luz do dia é sugestão unânime dos blogueiros de viagens.

A bióloga Thelma Alves, fundadora do blog ‘De Casa para o Mundo', conta ter participado da inauguração do edifício. "Tive o privilégio de estar em Nova Iorque no dia em que o OWTC foi aberto ao público. Muitas das pessoas presentes nesse dia estiveram envolvidas no processo de reconstrução do local ou eram familiares das vítimas dos atentados. Era notável o sentimento de dever cumprido ao ver aquela região completamente revitalizada", comenta. Para Thelma, um dos momentos inesquecíveis foi ver de perto a exaltação do patriotismo americano.

A analista de sistemas Rafaela Machado, que escreve relatos de suas aventuras no blog ‘Viajando sem Medo', também compartilha esse sentimento. "Entrar no ultramoderno elevador da Freedon Tower, ver o filme que remonta à história de revitalização do lugar e em poucos minutos chegar ao 102º do prédio é uma das experiências mais marcantes dessa visita", indica a blogueira.

Para a estudante de Direito Thaís Towersey, autora do blog de viagens ‘Guia Mundo Afora', poucos passeios no mundo superam o espetáculo que é visitar o One World Trade Center em uma tarde ensolarada. "Já visitei 15 países e estive em importantes monumentos. Mas estar no OWTC é uma sensação incrível: pela história que ele representa e pela possibilidade de ter Nova Iorque quase toda diante dos seus olhos", relata. A blogueira explica que em um dia claro é possível apreciar vários ícones da cidade, como o Empire State Building, a Estátua da Liberdade e a Brooklyn Bridge.

Outra visita ideal para um dia de sol é a Estátua da Liberdade. Quem recomenda o passeio é a especialista em Marketing Internacional, Marina Vidigal Brandileone, autora do blog ‘Ideias na Mala'. "Pegar o barco que faz o percurso que liga Manhattan a Liberty Island, região onde fica localizada a famosa estátua, e ver Manhattan diminuindo ao passo que vemos e a estátua aumentando é muito interessante. Ao chegar à estátua, vários edifícios se destacam de longe, como o próprio One World Trade Center, bem mais alto do que os outros prédios da cidade", conta.

A hora de ouro

No intuito de juntar os bairros de Brooklyn e Manhattan, o engenheiro alemão Jonh Augustus Roebling, pioneiro no design e na construção de pontes suspensas de aço, propôs o audacioso projeto de uma gigantesca ponte sobre o East River.

Com 1825 metros de comprimento e 26 metros de altura, a Brooklyn Bridge é hoje um símbolo da inovação tecnológica e do progresso americano. A ponte demorou 14 anos para ser construída e tem no histórico dezenas de mortes, inclusive a do próprio idealizador que sofreu um acidente ainda na fase inicial da construção.

A ponte foi erguida por mais de 600 trabalhadores, demandou diversas pesquisas para desenvolvimento de tecnologias que possibilitassem a execução da obra e milhões de dólares - dados que remontam a importância histórica do local que se tornou, desde a inauguração, um dos passeios obrigatórios em Nova Iorque.

Para o engenheiro de sistemas Daniel Kifarkis, coautor do blog ‘Viajar pela Europa', a Brooklyn Bridge é um programa imperdível. "Já estive na cidade por três vezes. Caminhar sobre a ponte é um dos passeios que eu repito sempre. O pôr do sol de é inigualável", indica.

De acordo com Daniel, caminhar no sentido do Brooklyn para Manhattan favorece a experiência. "Estar na ponte ao fim da tarde e admirar o sol desaparecendo atrás dos imponentes edifícios famosos e, no mesmo compasso, presenciar as luzes da cidade se acender quase que automaticamente é uma das maneiras mais genuínas de contemplar a convivência harmônica entre natureza e arquitetura em Nova Iorque", explica.

As luzes da cidade

O cinema nos faz sonhar com os encantos da noite nova-iorquina representados naquelas cenas típicas de jantares românticos com vistas deslumbrantes. O restaurante Asiate é um daqueles espaços com localização privilegiada que permite a realização desse devaneio. Com uma enorme parede expondo mais de 3 mil garrafas de vinho e uma delicada escultura que simboliza os galhos secos das árvores no inverno, a decoração sofisticada e aconchegante se torna um atrativo à parte.

No 33º andar do Hotel Mandarin Oriental, o Asiate oferece sabores da cozinha americana moderna com interpretações sofisticadas de pratos tradicionais. É uma experiência para degustar com todos os sentidos! A combinação exótica de sabores, o aroma dos vinhos cuidadosamente selecionados e uma vista panorâmica é experiência digna de cena de filme. No entanto, para apreciar esse visual cinematográfico é necessário preparar a carteira. O menu degustação com harmonização de vinhos fica em torno de US$ 500 por casal.

Para a jornalista Renata Araújo, embaixadora do turismo no Rio de Janeiro e autora do ‘You must Go', blog de viagens dedicado ao segmento de experiências de luxo, foi no Restaurante Asiate que ela teve um dos melhores jantares na cidade. "A comida é excelente, e o serviço, impecável e sempre atento. O que mais me chamou a atenção foi a decoração de extremo bom gosto e a vista deslumbrante para o Central Park e Upper West Side. Não à toa, o Asiate foi considerado pelo guia Zagat, o restaurante com melhor ambiente de Nova York", ressalta a jornalista.

Na baixa Manhattan, o elegante Terrace Club do World Center Hotel é outra escolha certa para uma noite memorável na capital do mundo. "Além de vinhos e cervejas, o local oferece coquetéis exclusivos que podem ser saboreados com vistas espetaculares. Nesse ambiente, o próprio One World Trade Center será o plano de fundo", finaliza Kifaris, que confessa que ter ‘vistas deslumbrantes' é um pré-requisito para a definição de seus roteiros de viagem.


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