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Verbo

Um ano de conquistas

por André Martins

Mastercoach Alda Marmo dá dicas para que 2016 não fique só na promessa (Foto: Divulgação)

Um novo ciclo de 365 dias sempre é entendido como uma oportunidade de realizar sonhos e atingir metas que não foram alcançadas no ano que passou. Pular sete ondas, escolher criteriosamente a cor das peças de acordo com o que se deseja para o próximo ano, comer lentilhas,... as superstições podem ajudar sob o ponto de vista espiritual. Ocorre que, muitas vezes, é preciso arregaçar as mangas e fazer acontecer. Para isso, organização é fundamental. Colocar no papel os objetivos para o próximo ano pode ser um hábito saudável, desde que a pessoa se empenhe para realizar aquilo que só compete a ela fazer.

A mestre em Análise do Comportamento e Mastercoach Alda Marmo trabalha há anos com pesquisas e metodologias que têm por princípio o desenvolvimento de competências e a melhora de resultados. De acordo com a psicóloga, os resultados. A psicóloga afirma que, ao longo de sua formação, os resultados práticos e visíveis sempre exerceram maior fascínio que os procedimentos psicológicos clássicos, como terapias.

Na entrevista concedida à Vox Objetiva, a Mastercoach fala sobre objetivos, o foco, a disciplina, a força dos sonhos e as formas para ter aumentadas as chances de chegar ao fim de 2016 com muito para comemorar. "Realizar coisas produz sentimentos maravilhosos e efeitos psicológicos muito positivos: confiança, segurança, orgulho, prazer, admiração, força. E tudo isso gera felicidade", esclarece.

Por quê, mesmo não tendo cumprido as metas estabelecidas para o ano, as pessoas continuam a fazer planos e a estabelecer objetivos para o ano vindouro?

Há uma variável importante para a vida do ser humano: a esperança. Principalmente a esperança de um futuro melhor. Cientificamente pode-se dizer que um plano ou um objetivo funciona como uma regra para o indivíduo ou como um precursor que tem um efeito sobre o comportamento futuro. Assim, quando fazemos planos, aumentamos a probabilidade de nos engajar em ações que nos levem rumo ao nosso objetivo.

Uma reclamação geral é que o tempo está passando rápido demais. Essa sensação se dá por qual razão?

Já faz tempo que o ‘tempo' deixou de ser um fenômeno natural. O relógio, que hoje foi trocado pelos celulares, tornou-se um tirano, um meio de controle social. Se não fizer no tempo, há multa. Em inglês, o termo ‘prazo' é conhecido como ‘deadline', que significa hora da morte.

"Não vai dar tempo", "Não tenho tempo", "Preciso fazer dar tempo", "Estou gastando meu tempo", "Preciso poupar mais tempo" são frases proferidas pelo menos uma vez por dia por quase todo o mundo.

Diversas tecnologias, listas, relógios e cursos de administração do tempo buscam fazer com que façamos mais coisas no tempo que temos. Cortamos o tempo em pequenas porções e cultuamos a velocidade. Além disso, a internet faz com que não tenhamos mais barreiras que separam os tempos apropriados para cada área de nossas vidas. Trabalhamos domingo de manhã, resolvemos problemas domésticos em horário comercial, atendemos clientes sábado à noite,... Assim acredito que não seja uma impressão somente de que o tempo passa rápido demais.

No mundo, vemos inúmeras diferenças entre os homens durante toda a sua existência. Também compartilhamos inúmeras semelhanças, mas o tempo nunca mudou, independentemente da tribo, da crença religiosa, geografia, cultura. Ele é sempre o mesmo. O que muda é o nosso comportamento e como nos relacionamos com o tempo que temos. Se for do modo como temos feito, talvez ele continue, sim, passando cada vez mais rápido.

Para quem estuda ou vislumbra um concurso, conseguir a tal da disciplina é uma tarefa, às vezes, árdua. Como é possível adquirir isso, trazendo resultados práticos e visíveis para o dia a dia?

Quando estabelecemos um objetivo, precisamos ter muita clareza sobre o tempo, tanto sobre os benefícios quanto sobre as perdas que a sua conquista vai ocasionar. É preciso levantar os obstáculos para poder construir estratégias de ‘luta'. Uma estratégia importante é encarar o objetivo e, a despeito dos obstáculos, fazer o que tem que ser feito.

A disciplina não considera ‘a vontade', ‘o pique', ‘o humor', o feriado, o final de semana ou coisas desse tipo... Veja a vida de um atleta profissional: sem disciplina, ele jamais vai alcançar os resultados esperados. Cientificamente podemos dizer que ter disciplina leva em consideração pessoas que conseguem se comportar e agir apesar de condições difíceis, externas ou internas. O objetivo deve ser soberano e prevalecer.

Diante de muitos pontos de interesse, há quem se sinta perdido em relação às possibilidades. Como conseguir hierarquizar o que é mais importante quando tudo parece necessário, urgente?

Sem um objetivo específico realmente não se consegue estabelecer prioridades. Também é difícil estabelecer muitos objetivos para serem trabalhados no mesmo momento. Já diz o ditado: "Quem tudo quer, nada tem".

Conseguimos hierarquizar e dar prioridade às coisas quando relacionamos um objetivo claro e específico para nossas vidas. O objetivo vai servir como bússola sobre o que é realmente importante e é urgente. Caso contrário, seguiremos perdidos e geralmente na emergência, nunca fazendo o que realmente importa. E aí passam-se dias, anos, uma vida...

A dica é: depois de hierarquizar o que deve ser feito, preocupe-se em realizar 20% do topo da lista que você vai obter 80% de resultado.

As redes sociais representam um grande problema para as pessoas, porque elas estão sempre conectadas. A vida se esvai e, muitas vezes, a produtividade também. Há alguma estratégia para reduzir o uso, despendendo tempo com o que realmente importa?

O que realmente importa? Essa é uma pergunta que deve ser respondida por cada um de nós e, depois que for ‘conhecida', devemos colocar em prática ações que sejam congruentes com o que faz sentido e importa.

A internet, as redes sociais e aplicativos de interatividade fazem parte do nosso tempo. São ambientes que produzem relacionamentos virtuais, porém reais.

Vejo muita gente, pesquisadores, educadores, filósofos, fazendo campanhas para que as pessoas não passem tanto tempo nas redes ou que parem de postar uma vida linda e feliz, quando a realidade não é essa.

Acredito que, primeiro, devamos assumir essa ‘rede' como um dos ambientes que fazem parte da nossa vida. Acho que talvez não tenhamos forças ou armas para lutar contra. Talvez cada um de nós possa fazer campanhas de um uso mais produtivo ou funcional ao mesmo tempo que devemos tornar o ambiente real mais gostoso: convidar mais amigos para atividades, fazer mais visitas, ir mais aos parques,...

Cada tipo de objetivo demanda uma estratégia? Como definir a melhor forma de alcançar um objetivo?

Depende, sim, de cada objetivo, do repertório individual de cada um e das condições em que a pessoa vive. Alguns pontos podem ser gerais. Geralmente alguém que ajude, um profissional coach, psicólogo, professor, mentor, pais, um plano (levantamento de forças, obstáculos, importância,...) pode ser útil. Mas, talvez, o mais importante seja ter o objetivo claro e o mais específico possível.

Em termos psicológicos, o que resulta quando uma pessoa consegue atingir um objetivo seguindo um planejamento, uma organização?

Realizar coisas produz sentimentos maravilhosos e efeitos psicológicos muito positivos: confiança, segurança, orgulho, prazer, admiração, força. E tudo isso gera felicidade. Conquistar um objetivo produz tudo isso e provavelmente outros resultados: pode abrir portas, reconhecimento, notoriedade, credibilidade, dentre outras coisas. Tudo isso só pode ser bom, não é?!

Muitas pessoas fazem uma confusão com os termos metas, objetivos e sonhos. É preciso pensar no que é possível realizar e o que é um desejo, digamos, abstrato. Por mais irreal que possa ser ou parecer, o sonho... que papel cumpre em nossa vida?

É preciso sonhar, não é? O sonho faz com que nos conectemos com o que realmente importa na nossa vida. Ele pode estar relacionado com o nosso propósito, com a nossa missão e com os nossos valores. Nosso sonho é algo que deve ser levado muito a sério!

Acredito que o sonho seja o primeiro passo para a reformulação de um objetivo real e alcançável, de preferência, e que dependa das ações do indivíduo que está sonhando.

Um objetivo é composto de partes tangíveis e intangíveis. Como disse, um objetivo deve ser específico, devemos descrever o que realmente queremos, como deve ser, onde, quando, com quem. Quanto mais características, melhor. Assim, aquilo que é tangível vai produzir o que é intangível, mas talvez o mais importante seja o sentimento que queremos alcançar, conquistar. Ao se esforçar para realizar um objetivo, procuramos determinado sentimento,... geralmente, a tal da felicidade!


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