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O pôquer dá as cartas em BH

por Vinicius Grissi

À espera de regulamentação, esporte ganha adeptos na capital. Em dezembro, Belo Horizonte recebe torneio com pelo menos R$ 500 mil em prêmios (Foto: Divulgação)

Sai o campo gramado, entra a mesa. A bola dá lugar às cartas. Os chutes são substituídos por fichas. Entre 10 e 15 de dezembro, com o fim da temporada de futebol, o Mineirão vai receber uma edição do 888 Live Local, evento de pôquer que só neste ano passou por Austrália, Canadá além de vários países europeus. O espaço foi escolhido por ser o templo mineiro da maior paixão nacional. Nada mais inspirador para um esporte que, apesar de lutar contra o preconceito, ganha adeptos de forma vertiginosa mundo afora.

Apenas no início de 2012, o pôquer foi reconhecido como "esporte mental" pelo Ministério do Esporte. Mas bem antes disso, fabricava milionários em torneios que, só nos últimos anos, chegaram à televisão. Aos poucos, esses prêmios começam a cair nas mãos de brasileiros, como Bruno Vendramini Politano ou Bruno Foster, como é conhecido no mundo do pôquer. Aos 32 anos, o paulista se tornou o primeiro (e único) brasileiro a entrar no seleto grupo do "november nine", os nove jogadores que disputam a mesa final do mundial de pôquer.

O empresário abocanhou quase US$ 1 milhão pelo oitavo lugar no World Series Of Poker em novembro de 2014, em Las Vegas. De malas prontas para Belo Horizonte, onde vai disputar pelo menos R$ 500 mil em prêmios, Bruno destaca a importância de torneios em espaços como o Mineirão. "Para a comunidade do pôquer, que sofre com o preconceito, a expectativa é a melhor possível. Quando a gente fala em um estádio de futebol, fazemos um link com um esporte que só agora está começando a despontar e ser entendido pelas pessoas", relata o profissional.

Quem também acredita na importância de atingir espaços como o Mineirão é o diretor de marketing do Sierra Poker, Filipe Souza. Responsável pela organização do torneio, o clube é um dos dez espaços dedicados ao esporte em Belo Horizonte. Aberto no fim de 2012, o espaço recebe cerca de cem jogadores por dia e tem mais de 7 mil associados cadastrados. "Beagá já caminha para ser um dos maiores polos de pôquer no Brasil. Temos muitos praticantes de final de semana com a família e os amigos. Mas um torneio como esse pode popularizar a prática e quebrar paradigmas por ser um local icônico. Além disso, deve dar um crescimento considerável no nível de praticantes", explica.

A expectativa da organização é de que nos seis dias de competição no Mineirão, pelo menos 2 mil pessoas passem pelas mesas que serão montadas no espaço vip do estádio, com vista para o gramado. Dentre elas, profissionais brasileiros e sul-americanos além de jogadores esporádicos. "O que a gente espera em sua grande maioria é um público que já pratica, mas não teve a oportunidade de conhecer um evento desse tamanho", conta Filipe, destacando que alguns satélites ao vivo e pela internet dão vagas para disputar o torneio com o pagamento de apenas US$ 0,01. A inscrição custa R$ 490.

Gente como o publicitário Pedro Senra se reúne com os amigos pelo menos uma vez por semana para jogar pôquer. Às vezes, ele se arrisca também pela internet. Como não é um profissional do esporte, ele ainda luta para conseguir folgas na agência onde trabalha para se arriscar no Mineirão. "O final de ano promete ser cheio de trabalho e ainda não posso confirmar. Mas além da ótima premiação, a possibilidade de jogar um torneio grande na minha cidade é muito legal", explica. O fato de ficar frente a frente com grandes jogadores é encarado com naturalidade. "Serve mesmo é de motivação. Cair na mesa de um profissional serve de incentivo para buscar o melhor jogo e, quem sabe?, eliminar o ‘shark' do torneio".

Quem garantiu presença foi Vitor Viana. Depois de passar os últimos anos aperfeiçoando seu jogo com amigos pelo menos uma vez por mês e em algumas sessões on-line, ele está disposto a elevar o nível da brincadeira. "É rara a oportunidade de jogar um campeonato nesse formato aqui. Para quem gosta de jogar como eu, mas não é profissional, pode ser única", revela. Ele é mais um a fazer coro quando o assunto é o encontro com grandes jogadores. "Imagino que possa encontrar alguns caras que eu já vi disputar grandes prêmios pela televisão. E acho que vai ser uma experiência sensacional", conta o advogado.

A oportunidade de dividir o espaço com grandes jogadores também é destacada pelos profissionais. "Eu jogo tênis, mas jamais vou ter a oportunidade de jogar com o Djokovic ou o Nadal. O cara que disputa um torneio como esse tem a possibilidade de se sentar a uma mesa ao lado do Akkari, do Ariel, do Decano. É um esporte que dá oportunidade de jogar ao lado do seu ídolo. E ainda pode arrumar uma premiação em dinheiro que pode melhorar muito o fim do ano", brinca Foster, que dá dicas para jogadores de primeira viagem: "muita paciência, foco, determinação e, principalmente, atenção".

Mesmo com a ajuda para os iniciantes, o torcedor do São Paulo não quer perder a oportunidade de levantar um título no Mineirão. "Eu nunca imaginei essa possibilidade na vida. Já pensou jogar no Morumbi um dia?", sonha ele. Para Filipe Souza, o evento ainda traz essa particularidade. "Apesar dos 7x1 (lembra da derrota do Brasil para a Alemanha no Mundial do ano passado), o Mineirão é um estádio de Copa do Mundo, um dos mais queridos e conhecidos do Brasil. E as pessoas não vão entrar para se sentar na arquibancada. Elas vão é participar ativamente da competição. Vão ser jogadores de fato", salienta.

À espera de ser regulamentado pelo Ministério do Esporte (em outubro foi anunciado um grupo de trabalho para resolver a situação), o pôquer parece disposto a dar "all in" em Belo Horizonte. E a cidade, ao que tudo indica, está pronta para pagar ou até mesmo dobrar a aposta.


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