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Alerta na balança

por Haydêe Sant'Ana

Obesidade se alastra pelo mundo e pode ser considerada, em breve, uma epidemia global (Foto: Shutterstock)

Apontada como um dos maiores problemas de saúde pública, a obesidade se tornou uma preocupação mundial. De acordo com a projeção feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão considerados obesos. A OMS aponta também para crianças com sobrepeso e obesidade no mundo: o número pode chegar a 75 milhões, se nada for feito.

No Brasil, 52,5% da população está acima do peso (em 2006, o índice era de 43%) e 17,9% está obesa. E o número de pessoas com excesso de peso está crescendo, como mostra o relatório de 2014 feito pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) do Ministério da Saúde.

Com o aumento das taxas de obesidade e de sobrepeso, crescem os fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes, males de ordem cardiovascular e até mesmo cânceres. As doenças crônicas correspondem a 72% dos óbitos no Brasil.

Em entrevista à Vox Objetiva, o especialista em Endoscopia Digestiva e Gastroenterologia Dr. Mauro Lúcio Jácome tece comentários sobre a obesidade e explica uma das alternativas mais recorrentes para a perda de peso: a implantação do balão intragástrico.

Cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos em 2025, como mostra um levantamento feito pela OMS. A que se deve esse crescimento tão acelerado do sobrepeso e da obesidade na população mundial?

Sem dúvida, a obesidade é consequência das mudanças na dieta e nos hábitos causadas pela vida moderna. O ser humano aumentou muito a ingestão de sódio, gordura e carboidratos. Além disso, há sobrecarga de proteínas animais e baixa ingestão de fibras. Isso sem falar na quantidade de alimentos que hoje é ‘exuberante'. Literalmente ‘o peixe está morrendo pela boca'.

Podemos atribuir esse crescimento também às facilidades do mundo moderno, tecnológico, em que as pessoas têm tudo ao alcance das mãos sem precisar se mover?

Com certeza. Além da sobrecarga alimentar de má qualidade, a vida ‘moderna' compromete a saúde. Quando associamos a dieta ruim aos hábitos sedentários, o resultado é a ‘epidemia' mundial de obesidade. A humanidade tem que saber discernir o que é maléfico para a saúde.

No Brasil, o número de pessoas com excesso de peso também aumentou significativamente. Um percentual de 52,5% dos brasileiros está acima do peso e 17,9% da população está obesa, ou seja, mais da metade da população sofre com o excesso de peso. Quais os fatores responsáveis por esse crescimento?

Não há grandes diferenças em relação ao restante do mundo ocidental. O brasileiro procura produtos nas prateleiras que levam à obesidade e tem se tornado cada vez menos ativo.

Como combater o sobrepeso e a obesidade?

A obesidade e o sobrepeso só podem ser combatidos por meio da mudança de hábitos dietéticos e de atividade física. Existem métodos auxiliares, como cirurgias, balão gástrico por endoscopia, medicamentos,... Mas nenhum desses métodos auxiliares funciona sem mudar a dieta e sem fazer as atividades diárias. Não existe fórmula mágica. O segredo está em se educar durante o processo de emagrecimento.

Quais os fatores de risco para a população que está acima do peso?

Essa população está consideravelmente mais exposta às doenças cardiovasculares, cerebrais, renais, ao diabetes, a doenças dos ossos e articulações, a amputações por doenças vasculares e até mesmo a alguns tipos de câncer.

Acompanhada da obesidade e do sobrepeso dos adultos, vem a obesidade infantil. Esse crescimento entre as crianças seria um reflexo do comportamento dos adultos?

Sim. O comportamento dos filhos imita o dos pais. O comportamento alimentar também. E as crianças têm uma oferta muito maior de doces e de gorduras.

Além da reeducação alimentar associada à prática de exercícios físicos, que dica você daria para quem quer perder peso?

Uma boa dica é procurar um médico de confiança. Se ele não se julgar competente para ajudar na perda de peso, com certeza vai indicar alguém capaz de fazê-lo. Comece seu processo de perda de peso sempre com orientação médica.

Em que casos o uso do balão intragástrico é recomendável?

O balão intragástrico é indicado para pessoas com obesidade e que tiveram tentativas frustradas de emagrecimento. Pode ser utilizado para a pessoa atingir seu peso ideal, mesmo naqueles que têm obesidade leve; para emagrecimento pré-cirurgia de obesidade mórbida; para preparação de pacientes superobesos; na preparação para cirurgias ortopédicas, cardíacas, plásticas, etc. Como disse, é uma intervenção que deve ser associada à dieta e aos exercícios como método de perda de peso. No tratamento, o paciente deve receber orientações e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (médicos especialistas em endoscopia, gastroenterologia, nutrologia e psiquiatria, nutrição, psicologia e educação física).

Quais as medidas e os cuidados que quem faz uso do balão intragástrico deve tomar?

Esclarecer as dúvidas sobre o tratamento antes do procedimento. Após a colocação do balão, seguir à risca as orientações médicas e da equipe multidisciplinar para obter um bom resultado. Retornar ao médico para retirar o balão no prazo previsto. Após a retirada do balão, continuar o tratamento para a manutenção do peso ideal.

Existe algum risco de rompimento ou de rejeição do organismo ao balão intragástrico?

Normalmente o que pode ocorrer é um vazamento da válvula do balão. Nesses casos, existe um corante azul dentro do balão que é absorvido pelo estômago e eliminado na urina do paciente. A urina fica azul. É um sinal de que a válvula do balão tem um defeito e necessita de troca por endoscopia. O corante não faz mal; é apenas um marcador. As rejeições ao material, que é silicone, não são descritas.

Quanto tempo dura o tratamento com o uso do balão intragástrico?

Existem próteses de seis meses e de um ano de uso.

Após a retirada do balão, o paciente deve adotar uma alimentação normal ou precisa continuar seguindo uma dieta equilibrada?

É muito importante que, em qualquer tratamento, o paciente continue o acompanhamento, siga uma dieta e continue com hábitos de saúde conquistados.

E a cirurgia para a redução do estômago: quando deve ser adotada?

A cirurgia bariátrica ou metabólica ou de redução de estômago é indicada para pacientes com obesidade mórbida, superobesos ou obesos severos com problemas de hipertensão, diabetes ou problemas ortopédicos sérios.

Qual procedimento é mais seguro para o paciente: a redução do estômago ou o uso do balão gástrico?

Os dois procedimentos são bem seguros, se forem feitos por especialistas. Na verdade, os procedimentos são muito diferentes, e os riscos são relativos. O balão é um procedimento endoscópico e, como tal, apresenta baixo risco. A cirurgia bariátrica apresenta redução significativa de mortalidade nas últimas décadas, mas se trata de um procedimento operatório. O importante é que o paciente procure um especialista para avaliar a melhor indicação de tratamento.


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