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Vanguarda

Medida antigargalo

por Cassio Teles

BH-Airport assume administração do aeroporto de Confins projetando eficiência nos serviços e investimentos de R$ 1,5 bilhão (Foto: Infraero / Divulgação)

Evitar o caos aéreo e atender de forma adequada a crescente demanda por voos domésticos sempre foram pontos deficitários nas gestões dos principais aeroportos brasileiros. Para sanar o problema, desde 2011 o governo federal vem cedendo concessões à iniciativa privada. O primeiro leilão realizado foi o do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande no Norte. Em 2012, foi a vez dos aeroportos internacionais de Brasília/DF, Guarulhos/SP e Viracopos/SP. Já no ano passado, saíram as concessões dos aeroportos do Galeão/RJ e de Confins/MG. Entretanto, foi somente em agosto deste ano que esses dois últimos terminais começaram a ser cedidos pela Infraero.

Em Minas Gerais, caberá à BH-Airport a operação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves pelos próximos 30 anos. A empresa foi criada pelo consórcio Aero Brasil para a operação e administração do terminal. O consórcio é composto pela CCR, atuante na área de concessão de infraestrutura. Ela tem 75% da fatia destinada à iniciativa privada, enquanto a Zurich Airport ficou com os 25% restantes.

O consórcio Aero Brasil foi o que apresentou o maior ágio no pregão, com valor 66% superior que o mínimo exigido para a concessão. A partir de agora, o aeroporto de Confins tem 51% do seu capital de fundo privado, embora a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) detenha ainda 49% do total. O órgão continua sendo responsável pelo terminal. O montante da concessionária equivale a R$ 1,82 bilhão, dos R$ 3,09 bilhões que perfazem o valor de mercado do aeroporto mineiro.

Antes de assumir a operação do aeroporto, a CCR apresentou um Plano de Melhorias da Infraestrutura. As ações previstas devem elevar os serviços e a estrutura do terminal a padrões internacionais. Dentre as principais medidas anunciadas está a continuação da reforma do chamando ‘puxadinho', que deve se tornar a área de apoio para desembarque, terminal de embarque e desembarque internacional. O espaço contará com mais balcões de check in e terá reconfigurados o sistema viário e as 23 pontes de embarque. Todas essas e as demais alterações previstas visam a duplicação da capacidade do terminal para atender mais de 20 milhões de passageiros por ano. As projeções são para um horizonte de dez anos com investimentos que somam mais R$ 1,5 bilhão.

As concessões dos seis grandes aeroportos brasileiros indica uma tendência de que empresas de operação, que exijam manutenção constante da infraestrutura, possam ser gradativamente cedidas à iniciativa privada. O motivo: agilidade para realizar investimentos e aperfeiçoar os serviços. Para Rogério Coimbra, secretário de Política Regulatória de Aviação Civil, o robusto crescimento do transporte aéreo no Brasil exigiu novas políticas para acompanhar demandas crescentes. A Política Nacional de Aviação Civil, estabelecida em 2009 pelo governo federal, definiu diretrizes para o setor aéreo. Dentre elas, estão ações de incentivo ao investimento privado em infraestrutura e da concorrência no setor aeroportuário. "Os investimentos e a operação dos aeroportos não devem ser apenas do setor público ou do setor privado. É preciso uma soma dos esforços, aproveitando o que o setor público e a iniciativa privada podem oferecer de melhor para o processo", conclui o secretário.

O modelo de concessão sofreu críticas da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Em carta à presidência da República e aos candidatos, o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz questionou o programa. Para ele, o modelo de concessão deveria contemplar a empresa que oferece menores tarifas pelos serviços e não aquela que faz o maior lance nos leilões. "É preciso um avanço e uma continuidade do programa de concessões dos aeroportos. Os resultados das cinco concessões feitas até agora foram expressivos, mas entendemos que é possível, em alguns casos, fazer a concessão por menor tarifa", analisa Sanovicz.

O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) se posicionou contra as concessões. No entendimento do sindicato, a Infraero tem condições para operar os aeroportos sem ajuda do setor privado. Em resposta, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explicou que o momento é de abertura de mercado para o setor aeroportuário. O órgão considera positiva a entrada de operadores privados no país, o que, segundo ela, tem diversificado a prestação do serviço e ativos nas mãos de mais concorrentes. De acordo com a Anac, as concessões já realizadas poderão servir de base para as futuras.

A Secretaria da Aviação Civil, no entanto, prefere não revelar quais serão os próximos aeroportos a serem cedidos à iniciativa privada. De acordo com o secretário Coimbra, o momento é de avaliação das medidas tomadas. "Estamos fazendo a opção de dar um passo de cada vez, de forma a poder avaliar os resultados das ações tomadas, para verificar eventuais aperfeiçoamentos necessários antes de dar o próximo passo. Mas acredito que estamos no caminho certo", avalia.


Saiba mais

A Vox Objetiva conversou com o vice-presidente de Aeroportos no Grupo CCR, Ricardo Bisordi, e com o diretor-presidente da concessionária BH Airport, Paulo Rangel. Confira os principais trechos das entrevistas, que revelam os planos do grupo CCR e da BH Airport com a administração do principal terminal aéreo do estado de Minas Gerais.

Ricardo Bisordi, vice-presidente de Aeroportos no Grupo CCR

O Grupo CCR já possui experiência na concessão de rodovias e mobilidade urbana, e ingressou, em 2012, no setor aeroportuário, com a aquisição de participação acionária nas concessionárias dos aeroportos internacionais. Agora, vai começar a atuar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), em Confins. Por que decidiram entrar para o setor aeroportuário?

A CCR é um grupo que atua no setor de infraestrutura. Começou administrando rodovias e ao longo dos anos ampliou seu escopo de atuação para outros modais. Portanto, a entrada no setor de aeroportos foi um movimento natural de diversificação. A CCR entende que o setor de aeroportos é um nicho de mercado interessante e que pode agregar valor ao negócio e a seus acionistas. Sabemos que este é um dos principais gargalos da infraestrutura nacional e, portanto, está recebendo especial atenção do governo nos próximos anos, abrindo uma possibilidade interessante de parceria com a iniciativa privada, conforme já adiantou a própria presidente Dilma Rousseff. Por isso, o Grupo CCR, com toda a sua trajetória de reconhecimento e investimentos consistentes no desenvolvimento da infraestrutura no país, agora está atenta a esse novo desafio, com disciplina de capital e buscando seu crescimento qualificado.

Por que escolheram o aeroporto Tancredo Neves?

O Grupo CCR participou do leilão de outros aeroportos que foram concedidos à iniciativa privada. Não houve uma opção exclusiva pelo AITN. Entendemos que, neste caso, houve uma proposta financeira e um projeto executivo que atendeu melhor à expectativa do Governo Federal e, por esse motivo, fomos sagrados vencedores. Porém, vale ressaltar que o AITN é um ativo com grandes perspectivas de crescimento e a CCR está muito motivada no desenvolvimento deste potencial. Além disto, o Grupo CCR tem grande interesse em estreitar o relacionamento e as oportunidades de parceria com o Governo do Estado de Minas Gerais, onde a companhia possui um escritório físico e anos de relacionamento.

Quais são os desafios dessa nova empreitada?

O grande desafio do Grupo CCR, por meio de sua concessionária BH Airport, é conquistar o mesmo reconhecimento que a companhia possui em outros segmentos de atuação durante esses 15 anos de trajetória. Queremos levar para esse novo negócio: investimentos, pessoas e uma nova gestão, que contribuirá com o crescimento qualificado do grupo e do AITN.


Paulo Rangel, diretor-presidente da concessionária BH Airport

Além das reformas e obras anunciadas, quais alterações ou novidades nos serviços estarão à disposição do usuário do aeroporto?

A concessionária BH Airport está trabalhando fortemente num planejamento de demandas e necessidades para oferecer serviços cada vez melhores, uma infraestrutura que traga mais conforto e segurança para seus passageiros e um time de colaboradores que poderão dar continuidade ao atendimento reconhecido do AITN. O aeroporto conquistou o 1° lugar em duas das oito categorias do Prêmio Boa Viagem - Edição Copa do Mundo FIFA 2014, promovido pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC/PR), em parceria com o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e com a Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (CONAERO). O objetivo do prêmio é reconhecer os aeroportos que ofereceram as melhores instalações e equipes no atendimento ao público durante o evento.

O senhor acha que a distância do aeroporto à capital inibe a escolha pelas viagens de avião?

Não acredito que esse seja um empecilho. Por questões de segurança e proteção ao meio ambiente, a distância do aeroporto em relação à capital é um atributo importante e alinhado às tendências dos maiores aeroportos do mundo. Mas entendemos que são necessários investimentos para melhorar as condições das vias de acesso. Nesse sentido, a concessionária BH Airport tem aberto o diálogo e se colocado à disposição para atuar na reconfiguração do sistema viário, trazendo mais fluidez para os passageiros que viajam de BH ou da região para o aeroporto.

Quais problemas podem surgir da falta de alternativas de acesso ao terminal? Existe a iniciativa de discutir junto aos governos federal e estadual novas vias?

A concessionária BH Airport está à disposição para contribuir com projetos que tragam a melhoria do sistema viário. Porém, como a concessionária iniciou a operação assistida em 12 de agosto, o foco prioritário está voltado ao atendimento, à operação e às melhorias no AITN.

Já é possível fazer um balanço dos resultados das primeiras medidas tomadas?

Até o momento as operações vêm caminhando normalmente. Os investimentos também estão seguindo o cronograma e o planejamento. O sistema de wi-fi de alta velocidade já está em pleno funcionamento e existe uma série de melhorias em curso.

Foram identificados pontos de tensão ou que deverão receber atenção especial? Algo que ainda não tinha sido percebido na operacionalização ou administração do aeroporto? Quais?

Estamos tranquilos e confiantes. Nossa aproximação com o AITN se deu antes mesmo que iniciássemos a operação assistida. Isso nos proporcionou um maior entendimento e familiarização com os desafios do negócio, o que nos traz a confiança e a certeza que transformaremos o aeroporto em referência de gestão e bom atendimento.


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