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Vai começar a festa!

por Leo Pinheiro

70ª temporada da mais importante liga de basquete do mundo, a NBA, vai contar com nove brasileiros. E dois deles são de Minas Gerais (Foto: Getty Images)

No dia 27 de outubro começa a temporada 2015-2016 da NBA. O mais famoso campeonato de basquete do mundo é considerado também um dos mais equilibrados e difíceis, além de contar com o maior número de estrelas internacionais. Neste ano, a liga vai contar com a participação de nove jogadores nascidos no Brasil - um marco em toda a história da NBA. O ala-armador Leandro Barbosa é um deles. Recordista de participações no torneio dentre todos os 16 brasileiros que passaram pelo basquete profissional norte-americano desde Rolando Ferreira, em 1988, no Portland Trailblazers, Leandrinho é também, de todos os compatriotas, o que jogou em mais times: nada menos que em seis.

Barbosa já foi eleito o melhor sexto jogador da liga e, durante a greve da NBA, em 2011, voltou a jogar no Brasil, recebendo tratamento de estrela e salário milionário (mais até do que de alguns jogadores norte-americanos e europeus) no Flamengo. Por outro lado, ele passou por dramas. Teve um grande histórico de sérias contusões. Em 2013 rompeu os ligamentos do joelho, jogando pelo Celtics. Em seguida, foi negociado com o Wizards, mas sequer entrou em quadra devido a novos problemas médicos. De volta ao seu primeiro time, o Phoenix Suns, em 2014, ele fraturou a mão esquerda. Após a última contusão séria, teve a carreira decretada como encerrada por torcedores e jornalistas. Mas, enfim, deu a volta por cima ao ser contratado pelo salário mínimo da liga, pelo Warriors.

Atual campeão, o seu time estreia em casa, na Oracle Arena, contra o New Orleans Pelicans - justamente time que queria levar Leandrinho embora de Oakland, Califórnia. As boas atuações do jogador nos play-offs (finais do torneio) da temporada passada despertaram a atenção dos adversários. Porém, o principal motivo do interesse do Pelicans foi o fato de que o auxiliar técnico do Warriors até o meio deste ano e amigo pessoal do brasileiro desde 2003, Alvin Gentry, assumiu o comando da franquia de New Orleans. "O Golden State Warriors foi onde conquistei o título mais importante da minha vida. Por isso, decidi renovar e dar continuidade a essa trajetória vencedora ao lado desse grupo de jogadores incrível", revelou Barbosa em entrevista exclusiva à Vox Objetiva.

Dupla mineira

Com pretensões mais modestas, os dois mais novos ‘brazucas' na NBA ainda vivem a fase do deslumbramento por jogarem em duas das franquias mais tradicionais dos Estados Unidos. A partir deste ano, o pivô Cristiano Felício terá a responsabilidade de envergar o uniforme que já foi usado pelo lendário Michael Jordan, no Chicago Bulls. O armador Raul Neto vai jogar pelo igualmente famoso Utah Jazz, da dupla de ouro olímpico, em 1992, John Stockton e Karl Malone.

Felício e Raulzinho guardam outras importantes semelhanças. Ambos são nascidos em Minas Gerais, têm 23 anos e, apesar da pouca idade, carregam bastante experiência na bagagem. O primeiro foi campeão Estadual, Brasileiro, Sul-Americano e Mundial pelo Flamengo; o outro jogou quatro anos em uma das ligas mais competitivas do mundo: a espanhola.

Raulzinho, no entanto, não disfarça a surpresa com a superioridade da NBA. "Ainda não consegui ver tudo. Passei apenas alguns dias durante a Summer League, nos Estados Unidos, entre Utah e Los Angeles. Mas é um mundo bem diferente, sem dúvidas. Estou gostando muito! Tudo é novo e impressionante: estrutura, organização,... Estou muito feliz por essa oportunidade e espero poder me adaptar bem o mais rápido possível. Acho que a principal diferença, em quadra, é a velocidade e o jogo físico, porque na Europa é mais cadenciado".

Nos dias que passou nos Estados Unidos, o armador belo-horizontino teve a oportunidade de se encontrar com alguns de seus ídolos na NBA (Matthew Delavedova, Kyle Korver, e Andre Drommond) em uma academia em Santa Barbara que é referência para atletas de muitas modalidades. "Todos foram muito simpáticos. Conversei um pouco mais com o Delly, por causa do Anderson, mas foram encontros rápidos", relata com desinibição.

Tanto quanto Raul assume o espanto, Felício demonstra ansiedade. Nascido em Pouso Alegre, o gigante de 2,11 metros já se acostumou a se apresentar para multidões de torcedores rubro-negros (Flamengo e Chicago têm as mesmas cores no uniforme), mas ainda não consegue vislumbrar a reação da torcida norte-americana. "Ainda não sei como vai ser isso, mas sei que os fãs dos Bulls são muito apaixonados, muito exigentes, e estou ansioso para me encontrar com eles", diz mais tímido que o colega de seleção brasileira. "Parece um sonho. O Chicago é um dos times mais tradicionais e vencedores da NBA. E não é preciso falar sobre Michael Jordan... Fiquei muito feliz quando recebi o convite! Jogar pelos Bulls, sem dúvida, é algo que torna a realização desse sonho ainda mais especial", completa.

Briga nas alturas

Quem brigará na parte de cima da tabela (literalmente) é Anderson Varejão do Cleveland Cavaliers. Vice-campeão da NBA em duas oportunidades (2007- 2008 e 2014-2015), o Wild Thing (Coisa Selvagem) viu Leandrinho derrotá-lo do lugar mais difícil da quadra, o banco de reservas. Ao romper o tendão de Aquiles do pé esquerdo na vitória de sua equipe sobre o Minnesota Timberwolves ainda na temporada regular, Varejão ficou sem chances de voltar para os play-offs - após cinco anos de ausência de seu time na fase mais importante da competição.

Considerado por boa parte dos fãs como o jogador mais carismático de toda a liga, Varejão não se abate e se diz confiante no ano esportivo que vai começar. "Estou me recuperando. Clinicamente, em relação à lesão, está praticamente zerado. Continuo tratando, trabalhando com fisioterapia, musculação e parte física, para recuperar condicionamento e força. Tenho trabalhado duro, me dedicando ao máximo para voltar bem e ter uma base boa para a temporada. Não tenho ainda condições de jogo, mas não tenho pressa, a temporada começa em outubro e só vou estar em quadra quando estiver bem e liberado pelos médicos", afirma com paciência.

O pivô do Cavs lamenta as contusões de alguns importantes companheiros de equipe e afirma que este foi o fator de desequilíbrio a favor dos adversários na hora decisiva, mas acredita que com todos recuperados, o time dele e do astro LeBron James pode levar o título inédito para o estado de Ohio. "Acho que o Cleveland vai forte, mais uma vez, para a próxima temporada. Mostramos o potencial do nosso grupo no ano passado e, mesmo diante de tantos problemas de lesão, eu, Love e Kyrie nos machucamos em momentos importantes do campeonato, chegamos à final e podíamos ter sido campeões. É uma competição longa, extremamente equilibrada e onde há sete, oito, dez equipes em condições de disputar e conquistar o título. Espero que nosso time possa jogar bem, deixar em quadra tudo o que tem e que possamos ter um bom ano. Nosso objetivo, claro, como de todos, é o título. Mas o caminho é longo", pondera.

Quem tem tudo para impedi-lo é novo pivô do Atlanta Hawks, Tiago Splitter. Primeiro brasileiro a sentir o gostinho de levantar o troféu da NBA, em 2013-2014, quando jogava pelo San Antonio Spurs, Splitter ficou de fora dos play-offs do último campeonato e viu pela tevê a final de conferência mais eletrizante dos últimos anos entre o seu atual time e o Cavaliers. Já falando como um Hawk, ele faz corrente pelos companheiros de time e de país. "Espero que a gente possa voltar à final do Leste. E torço para que os outros brasileiros tenham sucesso, pois levam o nome do nosso país".

Porém, quando questionado sobre uma disputa pelo título da Conferência Leste com Varejão, ele é cauteloso. "Difícil falar sobre ‘briga' no garrafão, mais ainda sobre uma final hipotética, prefiro esperar porque temos muitas franquias fortes e um ano inteiro pela frente. Mas, sem dúvidas, ter brasileiros nas finais de conferência e nas finais da NBA novamente seria sensacional. Que isso aconteça e que o Atlanta esteja lá", torce.

Outros quatro brasileiros completam a lista: Marcelinho Huertas sai do Barcelona, da Espanha, para o Los Angeles Lakers, o experiente Nenê Hilário continua defendendo o Washington Wizards, Bruno Caboclo e Lucas Bebê seguem buscando espaço no Toronto Raptors.

Saiba mais:

Confira a entrevista completa com o ala-armador Leandrinho clicando aqui.

E para ficar por dentro da tabela da temporada 2015-2016 da NBA, basta clicar aqui.


Todos os brasileiros que jogaram pela NBA

Rolando Ferreira - Portland Trailblazers
Pipoka - Dallas Mavericks
Nenê Hilário - Denver Nuggets / Washington Wizards
Rafael 'Baby' Araújo - Utah Jazz / Toronto Raptors
Leandrinho Barbosa - Phoenix Suns / Toronto Raptors / Boston Celtics / Washington Wizards / Indiana Pacers /Golden State Warriors
Scott Machado - Houston Rockets / Golden State Warriors
Marquinhos - New Orleans Hornets / Memphis Grizzlies
Alex Garcia - San Antonio Spurs / New Orleans Hornets
Anderson Varejão - Cleveland Cavaliers
Tiago Splitter - San Antonio Spurs / Atlanta Hawks
Lucas 'Bebê' Nogueira - Toronto Raptors
Bruno Caboclo - Toronto Raptors
Vítor Faverani - Boston Celtics
Fab Mello - Boston Celtics
Cristiano Felício - Chicago Bulls
Raul Neto - Utah Jazz
Marcelinho Huertas


Torre de Babel


No início da temporada 2014-2015, a liga apresentou um recorde de 101 jogadores internacionais de 37 países diferentes.


Curiosidades


A NBA.com, que alcançou o recorde de 26,9 bilhões de páginas visitadas durante a temporada 2013-2014, mais da metade desse número originadas fora dos Estados Unidos. A NBA é a liga de esportes profissionais número 1 nas mídias sociais, com mais de 800 milhões de seguidores pelo mundo - englobando perfis da liga, equipes e jogadores.

A página do Facebook NBA Brasil tem mais de 660 mil seguidores.

Na esfera digital, a NBA tem a NBATV, disponível em aproximadamente 60 milhões de casas dos Estados Unidos.


Onde assistir?


Nos canais por assinatura ESPN, SporTV e Space (Os jogos não são transmitidos na tevê aberta)


NBA + Brasil


Reeditando o confronto disputado na Flórida, na pré-temporada do ano passado, o atual bicampeão do NBB, Flamengo recebe Orlando Magic no Global Games Rio 2015 no dia 17 de outubro, na HSBC Arena, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.


Palavra deles


"A popularidade do basquete é maior do que nunca e o Global Games Rio 2015 é parte o nosso compromisso com o crescimento do basquete. Estamos orgulhosos por trazer esse tipo de experiência para os fãs brasileiros pelo terceiro ano consecutivo e de ter a honra de enfrentar um dos melhores times do Brasil em uma das grandes cidades do mundo." - Adam Silver (Comissário da NBA)

"Estamos ansiosos por representar a comunidade da Flórida central e a NBA apresentando a nossa grande comunidade e nosso time. O Brasil tem sido um mercado enorme para o Orlando Magic e nossa região e essa viagem vai contribuir muito para a parceria que temos cultivado, especialmente em relação ao segmento de turismo e nosso trabalho local. Ficamos muito felizes em receber o Flamengo ano passado no Amway Center e vimos a paixão dos fãs brasileiros que assistiram ao jogo. Estamos muito animados, será uma grande oportunidade." - Alex Martins (CEO do Orlando Magic)


Nossa palavra

"Estamos muito felizes por receber uma partida do Global Games pelo terceiro ano consecutivo. O basquete vive um momento muito bom no Brasil, a modalidade vem evoluindo, se desenvolvendo, recuperando o seu espaço graças à organização e aos bons resultados internacionais da Seleção Brasileira e dos clubes. A confirmação desse grande evento fortalece a relação da NBA com o país, estreita ainda mais a ligação com os fãs, e reforça a parceria que o escritório brasileiro tem com a LNB." - Arnon de Mello Neto (Diretor Executivo da NBA Brasil)


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